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Preço do Leite Materno: na Noruega, valor entra no PIB

Por: Prof. Marcus Renato de Carvalho, IBCLC, UFRJ

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Preço do Leite Materno: na Noruega, valor entra no PIB

 

Cuál es el precio de un litro de leche materna y por qué Noruega lo cuenta en su PIB?

 Dalia Ventura BBC Mundo / Tradução livre por Marcus Renato de Carvalho

                    Amamentar para muitas mulheres é uma experiência imensurável. E o leite materno é algo que não tem preço. Apesar disso, economistas da estatura de Prêmio Nobel, como Amartya Sen y Joseph Stiglitz recomendam que o mundo inteiro siga o exemplo da Noruega e incluam o valor de amamentar no PIB – Produto Interno Bruto.

 

O que é o PIB e porque muitos pensam que é uma medida absurda?

Por que tratar algo tão íntimo e tão humano como um produto de mercado?

Porque, como afirmam esses ganhadores do Nobel e vários outros economistas, por não levar em conta o valor do leite humano e da amamentação no PIB, as políticas públicas são distorcidas.

E mais, dizem, essa invisibilidade não permite ver algo que é muito claro: apoiar as mulheres para que amamentem seus filhos é altamente rentável.

Falemos em dólares

Julie Smith estuda há muitos anos o valor da amamentação. Foi a autora do informe no qual se basearam os ganhadores do Nobel para chegar à conclusão de que “existe uma grave omissão na valorização dos bens produzidos no lar: o valor do leite materno é um dos exemplos mais claros”.

O absurdo é que, assim como estão as coisas agora, se uma mãe amamenta, o PIB baixa, pois não está comprando fórmula e nem gastando tanto dinheiro com doenças. O custo dessas despesas e enfermidades deveriam serem levados em conta.

A economista da Universidade Nacional Australiana em Camberra falou a Arlene Gregorius da BBC sobre a primeira das investigações que fez.

"Foi na Austrália em 2002, e mostrou que as mães que não amamentam custaram ao sistema de saúde ao redor de US$ 100 milhões ao ano, pois há 4 enfermidades infecciosas que são mais frequentes e provocam a internação de crianças que não recebem leite materno”.

Outra pesquisa – comentou Smith – estimou não só os custos de saúde pediátricos, se não também os gastos com a saúde materna. Encontrou que os níveis mais baixos que os ideais de aleitamento materno, e uma introdução excessiva de fórmulas infantis, custavam ao sistema de saúde dos Estados Unidos US$ 17.000 milhões ao ano.

"O surpreendente desse estudo é que a maior parte desse gasto se deu ao alto custo de tratar as mães que tinham câncer de mama que poderiam ser evitado com maior período de amamentação”.

“Muitas mulheres não sabem que se amamentam durante mais de 12 meses ao longo da vida, o risco de ter câncer de mama é reduzido”, explica a economista.

O tratamento do câncer de mama é muito caro, além de custar a vida de muitas mulheres em idade produtiva.

Há algum benefício amamentar um filho até os 5 anos?

 

Capital humano

Em um estudo controlado aleatório na Bielorrússia da OMS se observaram 17.000 crianças nascidas em maternidades que implementavam ou não uma intervenção de apoio à amamentação. O resultado se respaldou em vários outras pesquisas.

Descobriram que as mães que davam à luz em hospitais que ativamente apoiavam o aleitamento, amamentavam durante mais tempo e seus filhos tinham uma vantagem no QI – quociente intelectual de 3 a 7 pontos percentuais em comparação como os que não foram amamentados exclusivamente nos primeiros 4 meses.

“E essa diferença de 3 a 7 pontos percentuais é para bebês nascidos à termo. No caso de os recém-nascidos prematuros é mais alta ainda”.

Em frios termos econômicos, amamentar produz bebês mais inteligentes que crescem e contribuirão para elevar mais o PIB do país.

"Há uma pesquisa muito grande e importante realizada também por investigadores da OMS em 2016 e publicado na revista médica The Lancet, no que estimaram que a nível global se perdem ao redor de US$ 300.000 milhões de produtividade ao ano devido ao aleitamento insuficiente”, disse Smith.

A França também vai muito mal porque tem taxas de amamentação baixíssimas: 34% das mães nunca deram peito a seus filhos, segundo a OMS, que recomenda que os bebês tomem exclusivamente leite materno por 6 meses.

"No Reino Unido, no caso, a perda é da ordem de aproximadamente US$ 16.000 milhões ao ano de prejuízo econômico devido à menor produtividade; na Austrália é de aproximadamente de US$ 6.000 milhões; na China, ao redor de US$ 26.000 milhões e nos Estados Unidos, ao redor de US$ 84.000 milhões.

Ok... é rentável, porém é calculável?

Sim! Os economistas e contadores dos países estão acostumados a produzir valores para o PIB de “produtos” que não se comercializam.

Em alguns países, por exemplo, tem métodos para determinar o valor do sangue, pois incluem sua doação no PIB.

"Há 3 métodos básicos”, indicar a economista Julie Smith:

 

1.   O preço de mercado, se há um produto equivalente;

2.   O método de custo de oportunidade, que atribui um valor salarial ao tempo que se gasta ao amamentar;

3.   Ou pergunta qual o custo de substituição equivalente desse produto.

Merece quantificação para darmos uma ideia desse valor em dólares, falou à BBC que como eles haviam calculado quanto valia a amamentação para a economia britânica em 2012. A resposta:  US$ 4.000 milhões ao ano.

"O que é realmente surpreendente é quanto poderiam produzir as mulheres do Reino Unido se recebessem ajuda para amamentar durante 6 meses e de forma continuada até 2 anos ou mais, como recomenda a OMS: US$ 19.000 milhões ao ano".

Isso significa que o Reino Unido só utiliza 20% da capacidade produtiva de suas mães. E esse é só um exemplo.

O que argumentam os economistas que estão a favor do que se inclua a amamentação e o leite materno nos cálculos do PIB é que assim os governos entenderiam finalmente que é um excelente investimento apoiá-la.

"Assim, por exemplo, poderiam assegurar um melhor orçamento de assistência hospitalar para estabelecer a amamentação. Poderiam prover uma Licença Maternidade paga para todas as mulheres que tenham bebês. E poderiam acordar os marcos legais para que os empregadores apoiem as mulheres trabalhadoras”.

E então, qual seria o preço de 1 litro de leite materno?

Para chegar à um valor, a economista australiana usou o preço que é determinado pelos Bancos de Leite Humano em alguns países. (Lembramos que no Brasil, por lei, o leite materno não pode ser vendido ou comprado).

Quanto vale o que as mães produzem?

 "As maternidades recolhem leite de mães que tem excesso e estão dispostas a doa-lo. Esses leites são armazenados e oferecidos para os recém-nascidos prematuros que estão internados e suas mães sem condições de oferecer seu leite por estarem com alguma enfermidade ou tomando alguma medicação impeditiva.”

Nos países escandinavos as mulheres que doam seu leite, lhes pagam uma “remuneração respeitosa”, um reembolso de uns US$ 20 por litro, para compensar seus gastos de tempo que leva para fazer a ordenha, e o trabalho que dá para esterilizar e congelar os vidros etc.

Na Noruega todas as crianças que nascem recebem leite humano, possa ou não ser proporcionada pela mãe, e seus Bancos de Leite transferem o leite entre eles a um preço acordado que inclui os custos de refrigeração, exames bioquímicos, transporte...

Para Julie Smith, "o da Noruega é um preço bem estabelecido. Os profissionais médicos são conscientes dos benefícios do leite materno, e, portanto, o preço é razoavelmente indicativo do seu valor real”.

E o preço de 1 litro de leite em um Banco norueguês é de US$100!

Há outros preços que se poderiam praticar.

Se queres um preço comercial, nos EUA, há uma empresa que coleta leite e o pasteuriza para ser dado a bebês muito prematuros ou bebês de baixo peso doentes, e vende a um preço equivalente a US$ 300 por litro.

Em conclusão, o poderoso e espetacular LEITE MATERNO não tem preço!

 

Derechos de autor de la imagen GETTY IMAGES

 

 


Última atualização: 18/6/2019

 

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