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Síndrome de Morte Súbita Infantil: Chupeta NÃO! - Amamentação SIM! - estudos científicos

Por: Moises Chencinski + Marcus Renato de Carvalho

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Síndrome de Morte Súbita Infantil:

Chupeta x Amamentação - estudos científicos

 Dr. Moises Chencinski (CRM-SP 36.349)

 

A Síndrome de Morte Súbita Infantil (SIDS) é caracterizada pelo óbito de uma criança que não pode ser explicado após uma avaliação completa do caso, incluindo a investigação da cena, autópsia e revisão da história clínica.

 

                Segundo estatística do CDC, em 2.014, cerca de 1.500 crianças morreram por SIDS.

Em 25 de outubro de 2.016, a Academia Americana de Pediatria publicou uma política de ação para prevenção da “Síndrome de Morte Súbita Infantil (SMSI) e outras mortes infantis relacionados com o sono: Expansão das Recomendações para um ambiente infantil seguro para dormir”, gerando grande polêmica em relação a alguns fatores importantes, especialmente no que diz respeito à proteção e promoção do aleitamento materno.

Em seu item 8, a recomendação é para a amamentação como um redutor de riscos para SMSI, orientando para que, se possível, as mães amamentem exclusivamente ou com leite humano ordenhado (isto é, não oferecer quaisquer fórmulas ou outro leite não-humano) durante 6 meses, em alinhamento com as recomendações da AAP. A diretriz refere que o efeito protetor da amamentação aumenta com a exclusividade, mas alerta que qualquer tipo de aleitamento (mesmo mista) é melhor do que nenhum aleitamento.

Ao mesmo tempo, a seguir, na recomendação nº 9, indica para que “se considere oferecer uma chupeta na hora da sesta e á noite para dormir, dizendo que embora o mecanismo ainda não seja claro, os estudos têm relatado um efeito protetor da chupeta sobre a incidência de SMSI, que persiste durante todo o período de sono, ainda que a chupeta caia fora boca da criança”.

Segundo a mesma recomendação, “a chupeta deve ser utilizada ao se colocar a criança para dormir. Ele não necessita ser reinserida uma vez que o bebê adormece. Se a criança se recusar a usar chupeta, ele ou ela não deve ser forçado a usá-la. Nesses casos, os pais podem tentar oferecer a chupeta novamente quando a criança for um pouco mais velha”.

Ainda complementando a mesma recomendação, “para crianças amamentadas, deve-se postergar a introdução de chupeta até que a amamentação tenha sido firmemente estabelecida, geralmente com 3 a 4 semanas de idade”.

A chupeta está classificada como Recomendação A (Quadro 1), junto com o aleitamento materno, a posição supina, evitar cigarros na gestação e após o parto, entre outros.

Entre as justificativas apontadas para o uso da chupeta, está um artigo publicado em 2011 no Pediatrics com relatos de estudos que mostram o fator de proteção do uso da chupeta contra SMSI. 

O artigo cita que embora vários estudos observacionais tenham encontrado uma correlação entre a chupeta e duração da amamentação reduzida, os resultados de ensaios clínicos randomizados bem desenhados indicou que a chupeta não parece causar a diminuição da duração da amamentação, especialmente quando introduzida a partir de um mês de vida.

O artigo ainda refere a uma recente análise mais sistemática que revelou que o maior nível de evidência (ou seja, a partir de ensaios clínicos) não suporta uma relação adversa entre o uso de chupeta e duração da amamentação ou sua exclusividade.

No mesmo dia (25 de outubro), foi publicada no JAMA diretriz sobre Intervenções de cuidados primários de apoio à amamentação, elaborada pela US Preventive Services Task Force, recomendando intervenções durante a gravidez e após o nascimento de apoio à amamentação (Recomendação B).

Segundo a diretriz, a Academia Americana de Pediatria (AAP), o Colégio Americano de Ginecologistas e Obstetras (ACOG), a OMS/UNICEF recomendam o aleitamento materno exclusivo até o 6º mês e tanto a AAP como a ACOG apoiam a recomendação da OMS/UNICEF dos Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno*.

 

CONCLUSÃO

O uso da chupeta nos quadros de Síndrome de Morte Súbita Infantil (SMSI) é um tema que retorna à discussão de tempos em tempos e que, no momento, por ter sido incluído nas diretrizes da Academia Americana de Pediatria como norma, merece uma reavaliação e um mais um posicionamento dos profissionais de saúde brasileiros que lidam, direta ou indiretamente, com essa questão e com o aleitamento materno.

 A Diretriz da Academia Americana de Pediatria cria, no mínimo, um conflito com as recomendações da OMS, do Ministério da saúde do Brasil, da SBP e de todos os profissionais de saúde que trabalham em prol do aleitamento materno. Em 2015, a OMS emitiu relatório técnico, chamando a atenção claramente sobre as prioridades de suas ações em relação às iniciativas de proteção ao aleitamento materno (“fortalecer, revitalizar e institucionalizar práticas em consonância com a Iniciativa Hospital Amigo da Criança em unidades de saúde que prestam serviços de cuidados de maternidade”).

 

A Sociedade Brasileira de Pediatria já firmou parecer (Conversando com o Pediatra) sobre os problemas e riscos associados ao uso das chupetas, esclarecendo aos pais e pediatras que, apesar de ser uma indicação oficial da AAP, esta opinião não é compartilhada por importantes órgãos como o MS (Ministério da Saúde do Brasil – área técnica da criança e do aleitamento materno), OMS, UNICEF, WABA (ONG internacional que promove a semana mundial da amamentação) e IBFAN (Rede Mundial que luta pelas leis que normatizam a propaganda de alimentos que podem prejudicar a instalação e manutenção do AM), que entendem ser necessária a realização de mais estudos sobre este assunto controverso.”

 

À luz de todas as evidências demonstradas, permanece clara influência negativa do uso da chupeta na adesão, continuidade e duração do aleitamento materno.

Embora a SMSI seja um evento de grande repercussão e preocupação crescente nos dias de hoje, não há nenhuma evidência inquestionável que justifique o uso da chupeta como fator de proteção em nenhuma fase da vida do lactente, especialmente se estiver em regime de aleitamento materno exclusivo até o 6º mês ou já com introdução de alimentação complementar até um ano de idade.

A amamentação por si só exerce um grande fator de proteção contra a SMSI, conforme Recomendação da própria diretriz da Academia Americana de Pediatria, junto a outras ações, sem que haja a necessidade de se iniciar o uso da chupeta.

O aleitamento materno previne cerca de 820.000 mortes por ano e 20.000 casos de câncer de mama quando iniciado na primeira meia hora de vida, já na sala de parto, exclusivo e em livre-demanda até o 6º mês, estendido até 2 anos ou mais, conforme recomendação da Organização Mundial de Saúde. Qualquer ação que coloque em risco o aleitamento materno deve ser vista com muitas ressalvas e evitada, sempre que possível.

Os profissionais de saúde do Brasil primam pela proteção, promoção e apoio incondicionais ao aleitamento materno e todas as ações descritas nesse artigo justificam nossa surpresa quanto à recomendação da Academia Americana de Pediatria.

 Segundo dados da OMS, 77 milhões de crianças nascem por ano. É necessário fazer uma reflexão e uma revisão na posição dessa diretriz para que milhões de crianças no Brasil e no mundo sejam beneficiadas pela prática do aleitamento materno e possam aumentar sua expectativa de vida com saúde e qualidade de vida.

           *N.E.: O passo 9 para o sucesso do Aleitamento adotado pela Iniciativa Hospital Amigo da Criança estabelece que não deve ser dado ao lactente chuquinhas ou chupetas mesmo sendo ortodônticas. O uso de bicos artificiais leva ao fenômeno "confusão de bicos", isto é, uma forma errônea de recém-nascido posicionar a língua e sugar a mama, levando-o ao desmame precoce.

 

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Última atualização: 14/11/2016

 

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