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CESARIANA aumenta risco de ALERGIAS, ENFERMIDADES AUTOIMUNES, DOENÇA CELÍACA...

Por: Prof. Marcus Renato de Carvalho, IBCLC

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CESARIANA aumenta risco de

ALERGIAS, ENFERMIDADES AUTOIMUNES,

DOENÇA CELÍACA...

 

Prof. Marcus Renato de Carvalho

 

                                            A colonização do recém-nascido tem como fonte natural a microbiota intestinal materna. O parto normal promove o estabelecimento de bactérias benéficas na passagem pelo canal vaginal, essa transferência natural da mãe para o recém-nascido está comprometida durante a cirurgia cesariana conforme conclui a pesquisa Cesarean versus vaginal delivery: Long-term infant outcomes and the hygiene hypothesis (1).

 

Flora Intestinal

Flora intestinal é o nome popular dado à microbiota intestinal, que é o grupo de micro-organismos que habitam o intestino. A microbiota intestinal começa a se formar no canal de parto e acompanha o ser humano pelo resto da vida. Essas bactérias participam ativamente na manutenção da saúde, uma vez que ajudam em várias funções do organismo, como melhora da digestão de nutrientes e estimulação do sistema imunológico.

 

Temos mais bactérias do que células humanas no nosso corpo

Existem mais de 100 trilhões de micróbios vivendo no intestino, o que supera o número de 10 trilhões de células do corpo humano. A grande maioria dessas bactérias fica no intestino grosso e podem ser nocivas ou benéficas para o organismo. As principais famílias de micro-organismos que habitam o intestino são os Lactobacillus e as Bifidobactérias, conhecidas por serem benéficas para a saúde intestinal.

Manter uma microbiota intestinal saudável é de extrema importância para deixar o organismo em bom funcionamento, pois apresenta funções essenciais para a saúde do corpo, tais como:

  • PROTEÇÃO: resistência ao aumento de bactérias nocivas
  • IMUNIDADE: promove resposta imunológica equilibrada
  • NUTRIÇÃO: produção de vitaminas K e do Complexo B e de nutrientes energéticos para a ação intestinal saudável

 

BACTÉRIAS do BEM protegem a CRIANÇA

 Antes do nascimento, intra-útero, o feto encontra perfeitas condições para o seu desenvolvimento com uma dieta adequada, uma temperatura perfeita, um ambiente livre de patógenos e um mecanismo de tolerância imunológica que o impede de ser rejeitado pelo organismo materno (2).

Logo após o nascimento, o trato gastrointestinal que é estéril no feto normal, passa a ter suas superfícies e mucosas colonizadas rapidamente por micro-organismos e, antes mesmo de realizar sua primeira respiração, esta criança já está sendo “contaminada”, principalmente por bactérias aeróbias (que precisam de oxigênio para sua respiração) (2).

Mais tarde, à medida que o oxigênio vai sendo consumido, prevalecem bactérias anaeróbias, como as bifidobactérias, bacteroides e o Clostridium (3), mas as bactérias benéficas como lactobacilos e bifidobactérias são normalmente as primeiras a colonizar o trato gastrointestinal (4).

Este processo de colonização varia de acordo com diversos fatores associados à mãe e ao ambiente, como o tipo de parto, a amamentação ou a exposição a antígenos, promovendo um desenvolvimento gradual da microbiota intestinal que estará completamente estabelecida aproximadamente aos 3 anos de vida (5).

A flora intestinal materna coloniza o RN durante o parto normal estabelecendo que bactérias benéficas se instalem e se multipliquem. Essa transferência materno-infantil está comprometida durante a cesárea (1).  Quando não existe essa passagem pelo canal vaginal, há aumento do risco de alergias, doenças autoimunes, doença celíaca e doença inflamatória intestinal (6). A pequena distância entre o ânus e a vagina, de 2-4 cm, dependendo da mulher, possibilita que a microbiota intestinal materna “contamine” beneficamente o RN que nasce de parto normal.

 

Flora vaginal

No interior da vagina, existe uma flora bacteriana constituída por vários microrganismos inofensivos, que proporcionam um ambiente desfavorável ao desenvolvimento de microrganismos patogênicos.  O conhecimento sobre o ecossistema vaginal se amplificou com os novos métodos não cultiváveis de identificação microbiana - amplificação de genes e clonagem, revelando centenas de espécies de Lactobacillus que podem compor a flora vaginal e a interação desta com os mecanismos locais de imunidade inata e adquirida. Linhares e at. afirmam que “na maioria das mulheres predominam na vagina uma ou mais espécies de Lactobacillus: L. crispatus, . L. inners e L gasseri. Entretanto, em outras mulheres aparentemente saudáveis pode haver deficiência ou mesmo ausência de Lactobacillus, que são substituídos por outras bactérias produtoras de ácido lático: espécies de Atopobium, Megasphaera e/ou Leptotrichia. A infecção e/ou a proliferação de bactérias patogênicas na vagina são suprimidas pela produção de ácido lático, por produtos gerados pelas bactérias e pela atividade local das imunidades inata e adquirida. As células epiteliais vaginais produzem diversos componentes com atividade antimicrobiana. Tais células ainda possuem receptores de membrana (“Toll-like receptors”) que reconhecem padrões moleculares associados aos patógenos. O reconhecimento leva à produção de citocinas pro inflamatórias e à estimulação da imunidade antígeno específica. A produção de anticorpos IgG e IgA também pode ser iniciada na endocérvice e na vagina em resposta à infecção. Conclui-se que a composição da flora vaginal e os mecanismos de imunidade representam importantes mecanismos de defesa. Os critérios de “flora normal” e “flora anormal” devem ser revistos...(7).”

Em conclusão, temos mais motivos para não permitir que o número de cirurgias cesarianas desnecessárias continue crescendo e contribuindo para o aumento de doenças, alergias e distúrbios da imunidade devido a não formação de uma microbiota saudável e protetora.

PS: Este artigo foi inspirado pelo filme MICROBIRTH lançado no Rio de Janeiro em pré-estreia no dia 20 de setembro de 2014.

 

Referências:

1 - Neu J, et al. Cesarean versus vaginal delivery: Long-term infant outcomes and the hygiene hypothesis.ClinPerinatol., 2011; 38(2):321-31.

2 - Round JL, Mazmanian SK (2009) The gut microbiota shapes intestinal immune responses during health and disease.Nature Reviews Immunology. May 9; 313-323.

 3 - Haahtela T, Holgate S, Pawankar R, Akdis CA, Benjaponpitak S, Caraballo L, Demain J, Portnoy J, von Hertzen L. The biodiversity hypothesis and allergic disease: world allergy organization position statement.World Allergy Organ J. 2013;6:3

4 -Thum C et al. Can nutritional modulation of maternal intestinal microbiota influence the development of the infant gastrointestinal tract?J Nutr 2012; 142: 1921-8.

5 - Gordon, J.I. et al.The human gut microbiota and undernutrition.Sci. Transl. Med. 4, 137ps12 (2012).

6 – ROOK, G.A.W; LOWRY, C.A.; RAISON, C.L. - Hygiene and other early childhood influences on the subsequent function of the immune system.  Brain Research, p. 1-16, 2014.

7 – LINHARES, I. M.; GIRALDO, P. C. e BARACAT, E.C - Novos conhecimentos sobre a flora bacteriana vaginal. Rev Assoc Med Bras 2010; 56(3): 370-4.

 

Bibliografia complementar:

·         Harris, K., et al., Is the gut microbiota a new factor contributing to obesity and its metabolic disorders? J Obes, 2012. 2012: p. 879151.

·         Angelakis E et al. The relationship between gut microbiota and weight gain in humans. Future Microbiol 2012 Jan; 7(1):91-109

·         Turnbaugh, P.J. et al., Diet-induced obesity is linked to marked but reversible alterations in the mouse distal gut microbiome, Cell Host Microbe, 3, 213, 2008.

·         Qin, J. et al. A human gut microbial gene catalogue established by metagenomic sequencing. Nature 464, 59–65 (2010). CAS 

·         Larsen, N. et al. Gut Microbiota in Human Adults with Type 2 Diabetes Differs from Non-Diabetic Adults. Plos One 5, e9085 (2010). 

·         Backhead F, Ley R, Sonnenburg JL, et al. Host-bacterial mutu-alism in the human intestine. Science 2005; 307:1915-20.

·         Wu, Richard You. "Lactobacillus: a probiotic modulator of gastrointestinal motility." The Meducator 1.19 (2012): 7.

·         Guarner, F; Malagelada, JR. Gut flora in health and disease. Lancet 2003;361:512–519

 

                                          Artigo exclusivo para o portal www.aleitamento.com

 


Última atualização: 6/10/2014

 

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