VIVENCIANDO A APLICAÇÃO DO
MÉTODO MÃE–CANGURU
na UI do HU
Este estudo trata-se de uma pesquisa convergente - assistencial do tipo pesquisa - ação participante que visa à vivência do Método Mãe Canguru na Unidade Intermediária do Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Junior.
Realizei um contato com a equipe multiprofissional da Unidade Intermediária do HU com a finalidade de apresentar os objetivos do estudo e solicitar a colaboração dos mesmos para a efetivação da proposta a ser realizada neste setor. Nesta oportunidade, realizei uma entrevista semi-estruturada com cada um deles visando verificar qual o seu conhecimento acerca do Método Mãe-Canguru. Participaram deste estudo membros da equipe multiprofissional que poderiam contribuir para a implantação do Método Mãe – Canguru no HU- FURG e quatro famílias cujos filhos estavam internados na Unidade Intermediária do HU- FURG no período do estudo. Verificamos que para a implantação do MMC no Hospital Universitário Miguel Riet Corrêa Jr. (HU – FURG) torna-se necessária a capacitação dos profissionais de saúde nas unidades nas quais o método será implantado, pois estes é que serão responsáveis pela avaliação do recém-nascido e pela orientação dos pais. As vantagens do método justificam o investimento pessoal e financeiro da instituição na implantação do mesmo. A partir da realização deste estudo que culminou com a vivência do método, com quatro famílias, verifico que o mesmo apresenta-se como uma importante metodologia no sentido de melhorar a qualidade do cuidado ao binômio mãe e filho no HU, pois favorece a rápida recuperação do bebê e potencializa a família enquanto cuidadora deste.
INTRODUÇÃO
O momento que tive contato pela primeira vez com o Método Mãe – Canguru (MMC) foi através de uma foto em um folheto informativo, fiquei interessada em saber mais a respeito desse método. Durante algum tempo, realizei uma busca sobre o método na Internet. No Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Junior (HU – FURG), na UTI neonatal, solicitei informações com a enfermeira da unidade acerca dos recém-nascidos prematuros e a possibilidade da implantação deste método. Naquele momento, esta se apresentou desinformada acerca do assunto. Assim, a vontade de fazer algo em relação ao cuidado com prematuros ou bebês de baixo peso, tornou-se inviável naquele momento de minha vida acadêmica, pois estava no primeiro ano do curso de graduação de enfermagem.
O primeiro contato com bebês que tive durante o curso foi durante o período que permaneci no Projeto de Apoio e Incentivo ao Aleitamento Materno no qual acompanhei casos de mães que tiveram bebês prematuros que ficavam internados na UTI Neonatal ou Unidade Intermediária do HU. Alguns desses casos eram devido às complicações respiratórias e/ou para ganho de peso, ocasionando restrito contato do binômio mãe - bebê, sendo que este ocorria somente nos horários de visita e para dar o leite materno. A percepção da necessidade na ampliação do contato mãe- bebê fez com que eu tivesse um maior interesse em fazer algo no sentido do cuidado do prematuro ou bebês de baixo peso, pois acredito ser importante a participação da família para humanizar o cuidado nesta situação em especial.
O Cuidado Canguru, recentemente, passou a fazer parte das diretrizes políticas de atenção à saúde dos bebês de baixo peso ao nascer e prematuros, estando incluído no Programa de Humanização do Pré - Natal e Nascimento. Assim, através da Portaria n˚. 693, de 05 de julho de 2000, o Ministério da Saúde normatiza a implantação do MMC, definido como assistência neonatal que implica no contato pele a pele precoce entre o binômio mãe- filho (recém-nascido de baixo peso, prematuro), de forma crescente, permitindo, dessa forma, maior participação dos pais no cuidado com o seu filho1
O HU- FURG, a partir de 28 de maio de 2002, foi intitulado “Hospital Amigo da Criança”, passando a fazer parte de um dos movimentos internacionais direcionados à promoção do aleitamento materno, cujas bases foram definidas e preconizadas pelos Fundos das Nações Unidas (UNICEF) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS). As medidas sugeridas pela Iniciativa do Hospital Amigo da Criança (IHAC) preconizam que a mãe e o bebê sadios permaneçam juntos desde a sala de parto até o momento da alta hospitalar, em alojamento conjunto e com aleitamento em livre demanda.
Porém, críticas são feitas a respeito desse movimento, pois se dirige ao incentivo do aleitamento materno de bebês sadios, entendendo que um Hospital Amigo da Criança deveria atender, também, às necessidades do prematuro, havendo, então, propostas de alguns passos direcionados à melhoria do cuidado integral aos neonatos prematuros ou doentes, nas unidades neonatais1
A partir deste entendimento, no HU-FURG, têm-se investido esforços em, também, contemplar os recém-nascidos prematuros internados na UTI Neonatal e na Unidade Intermediária visando à instrumentalização das puérperas para o aleitamento materno destas crianças e a educação das famílias para o seu cuidado. No entanto, apesar de Amigo da Criança, no HU ainda não foi implantado o Método Mãe-Canguru. Assim, acredito que a implantação deste método seria útil no sentido de fortalecer o vínculo mãe-bebê e garantir a manutenção do título pelo HU, pois o método é uma das estratégias a serem implantadas pelo Programa do Hospital Amigo da Criança.
OBJETIVOS
OBJETIVO GERAL
Este estudo tem por objetivo vivenciar a aplicação do Método Mãe – Canguru (MMC) na Unidade Intermediária do HU.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Os objetivos específicos deste estudo são:
- Verificar qual o conhecimento dos profissionais que atuam na Unidade Intermediária do HU acerca do Método Mãe – Canguru;
- Apresentar o MMC para as enfermeiras, auxiliares de enfermagem e técnicos de enfermagem lotados neste setor;
- Apresentar o MMC às famílias de crianças internadas na Unidade Intermediária que, segundo os médicos, seriam adequadas para participarem deste método;
- Propor e supervisionar a vivência do método por estas famílias e pela equipe de enfermagem lotada neste setor;
- Identificar as percepções das famílias e profissionais da equipe da Unidade Intermediária do HU acerca da vivência do MMC no HU – FURG.
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
O número elevado de neonatos de baixo peso ao nascer constitui um importante problema de saúde, principalmente nos países em desenvolvimento e representa um alto percentual na morbi-mortalidade neonatal. No mundo nascem anualmente vinte milhões de bebês prematuros e com baixo peso: destes, 1/3 morrem antes de completar o primeiro ano de vida2
O método Mãe-Canguru não representa uma substituição terapêutica de esquemas comprovadamente úteis, mas a recuperação do papel de protagonista que tanto a mãe como a criança podem representar na feliz culminação das circunstâncias traumáticas por ambas vividas. A presença permanente e solidária do grupo familiar torna-se essencial na aplicação da metodologia. Além disso, a permanente participação da equipe de saúde tem por objetivo facilitar e garantir melhores condições para o vínculo mãe-filho-família3
A idéia de que a própria mãe pudesse ser a fonte de calor para seu bebê prematuro surgiu na Colômbia, devido à escassez de incubadoras. Hoje, o Método Mãe Canguru tem sido adotado tanto em países em desenvolvimento quanto naqueles desenvolvidos. No Brasil, o Ministério da Saúde (2000), lançou a Norma de Orientação para a Implantação do Método Canguru, estabelecendo as diretrizes para sua aplicação nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS)4.
Em linhas gerais, essa norma prevê: abertura das unidades neonatais de forma ampla aos pais, para que eles possam, o mais rápido possível, tocar o (a) filho (a); contato pele a pele prolongado, particularmente com a mãe, para propiciar o bem – estar e a adaptação mais rápida do bebê à vida extra - uterina e estimular a prática da amamentação; a alta hospitalar mais precoce do bebê e continuidade do contato pele a pele no domicílio, até cerca de quarenta semanas de idade gestacional4
O Método Canguru visa fundamentalmente a uma mudança no paradigma da atenção ao recém – nascido de baixo peso, sua mãe, família e dos profissionais envolvidos nesse atendimento, objetivando uma abordagem mais humanizada. Dessa forma, o contato pele a pele precoce que se estabelece entre a mãe e o recém – nascido de baixo peso ocorre de forma crescente e pelo tempo que ambos entenderem ser prazeroso e suficiente, permitindo, assim, uma participação maior dos pais no cuidado do seu recém – nascido. Esse contato feito de forma gradual pode evoluir até a colocação da criança em posição canguru, que é o posicionamento do bebê em decúbito prono, na posição vertical, contra o peito do adulto, que pode ser a mãe, pai ou eventualmente algum outro familiar5.
A adoção dessas medidas estimula maior apego, segurança, incentivo ao aleitamento materno e melhor desenvolvimento da criança. Em nenhum momento a norma preconizada apresenta-se como um substituto ou se contrapõe às tecnologias modernas de atendimento ao recém – nascido de risco, as quais devem ser encaradas com indicações precisas sempre que necessárias. Mais do que isso, essa proposta de cuidados estabelece conceitos muito importantes e atuais, no manuseio desse grupo de pacientes, constituindo-se também numa nova e moderna visão de atendimento5
METODOLOGIA
A partir da definição do tema, foi realizado um estudo bibliográfico acerca do método visando obter a instrumentalização necessária para a realização do mesmo.
Este estudo trata-se de uma pesquisa convergente - assistencial do tipo pesquisa - ação participante que visa a vivência do Método Mãe Canguru na Unidade Intermediária do Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Junior.
Para a realização deste projeto foi solicitada à Chefia de Enfermagem seu consentimento para a execução do mesmo no setor proposto (anexo 1). Também, solicitei o Consentimento Livre e Esclarecido aos profissionais da equipe multiprofissional e as famílias, para participarem do mesmo (anexos 2 e 3).
Realizei um contato com a equipe multiprofissional da Unidade Intermediária do HU com a finalidade de apresentar os objetivos deste estudo e assim solicitar a colaboração dos mesmos para a efetivação da proposta a ser realizada neste setor. Nesta oportunidade, realizei uma entrevista semi-estruturada com cada um deles visando verificar qual o seu conhecimento acerca do Método Mãe – Canguru (anexo 4).
Após a realização da entrevista, apresentei o Método Mãe - Canguru para a equipe e entreguei a estes um material informativo acerca deste método (anexo 5). Com cada um deles procurei enfatizar, principalmente, aqueles dados relativos ao método que estes, durante a entrevista, tenham mostrado algum desconhecimento.
Conforme a equipe médica identificou os recém–nascidos prematuros ou de baixo peso, internados neste setor aptos a serem incluídos no MMC, durante o período do estudo, apresentei o MMC às famílias destas crianças convidando-as a se engajarem nesta proposta. Utilizei para isto o mesmo material apresentado para a equipe adaptando as informações para as famílias. As famílias que aceitaram participar do método foi solicitado o Consentimento Livre e Esclarecido.
Durante o período do estudo realizei o acompanhamento das famílias e da equipe de enfermagem na utilização do método problematizando com as mesmas em relação ao posicionamento do bebê, as vantagens, a alimentação do bebê prematuro e os critérios para a alta hospitalar do mesmo.
Durante a supervisão da implantação do método realizei a observação participante e também a elaboração de um diário de campo durante a coleta de informações desta fase do estudo.
Após o período de uso do método realizei uma entrevista semi–estruturada com as famílias e a equipe de enfermagem que atuou diretamente com as famílias que participaram da proposta de viabilização da implantação do MMC, para identificar a sua percepção acerca das facilidades e dificuldades para a implantação do mesmo no setor (anexos 5 e 6). As entrevistas semi-estruturadas foram gravadas e transcritas para a posterior análise.
A partir desta análise dos dados coletados nas entrevistas e nas observações participantes elaborei algumas considerações acerca da vivência da implantação do MMC no HU buscando contextualizar esta prática como uma forma de humanização do cuidado ao binômio família x recém-nascido de baixo peso na Unidade Intermediária.
ANÁLISE DOS RESULTADOS
CARACTERIZAÇÃO DA EQUIPE QUE ATUA NA UNIDADE INTERMEDIÁRIA DO HU PARTICIPANTE DO ESTUDO:
Participaram deste estudo uma equipe multiprofissional que poderia contribuir para a implantação do Método Mãe – Canguru no HU- FURG, sendo constituída por: dois médicos neonatologistas residentes, três enfermeiras, dez auxiliares de enfermagem, cinco técnicos de enfermagem, dois psicólogos, três fisioterapeutas, uma assistente social, uma técnica de nutrição e uma nutricionista. Desta equipe que foi entrevistada durante o estudo, somente uma enfermeira e uma assistente social receberam treinamento adequado em relação ao tema abordado neste. Os participantes do estudo serão identificados pelas iniciais de sua categoria profissional e em ordem numérica, tais como: M (médico), E (enfermeira), A (auxiliar de enfermagem), T (técnico de enfermagem), P (psicólogo), F (fisioterapeuta), AS (assistente social), TN (técnica de nutrição) e N (nutricionista).
CARACTERIZAÇÃO DAS FAMÍLIAS PARTICIPANTES DO ESTUDO:
Participaram deste estudo quatro famílias cujos filhos estavam internados na Unidade Intermediária do HU - FURG no período do estudo. Os binômios mãe – bebê do estudo foram identificados pelo nome MÃE e seu respectivo número.
MÃE1. A criança internada era do sexo masculino, primeiro filho, seu peso era 1.740 gramas, alimentando-se com leite materno por via oral através de seringa e durante a realização do método foi incentivada a amamentação no peito. A mãe possui 20 anos, solteira, universitária, não vive com o pai da criança e residente do bairro Centro do município.
MÃE2. A criança internada era do sexo masculino, primeiro filho, seu peso era 1.730 gramas, alimentando-se com leite materno por seringa e no seio materno. A mãe possui 14 anos, solteira, com ensino fundamental incompleto e residente do bairro Vila Braz do município.
MÃE3. A criança internada era do sexo masculino, primeiro filho, seu peso era 1.214 gramas, alimentando-se por sonda com leite substituto do leite materno e leite materno, durante a realização do método foi orientada em relação a extração do leite materno e preparo das mamas para posterior aleitamento materno. A mãe possui 30 anos, casada, com ensino médio e residente do bairro Querência do município.
MÃE4. A criança internada era do sexo masculino, gemelar I, seu peso era 1.710 gramas, alimentando-se por via oral através seringa com leite substituto do leite materno e durante a realização do método foi incentivada a amamentação em seio materno. A mãe possui 21 anos, solteira, com ensino médio incompleto e residente do bairro Getúlio Vargas do município.
CONHECIMENTO DOS PROFISSIONAIS QUE ATUAM NA UNIDADE INTERMEDIÁRIA DO HU – FURG ACERCA DO MÉTODO MÃE – CANGURU (MMC) ANTES DA VIVÊNCIA DO MÉTODO:
INFORMAÇÕES PRÉVIAS QUANTO O MÉTODO
Em relação as informações prévias quanto ao Método Mãe- Canguru, segundo os participantes as fontes de informações foram: livros, jornais, televisão, fita de vídeo, palestras, ouvir falar, hospital que trabalhou anteriormente tentaram implantar e visita a um hospital que realiza a aplicação do método.
· DESINFORMAÇÃO QUANTO AOS CRITÉRIOS DE ESCOLHA DA CRIANÇA E FAMÍLIA
Percebemos uma grande heterogeneidade de percepções dos membros da equipe acerca dos critérios de elegibilidade das crianças e famílias para participarem do método.
· DESINFORMAÇÃO QUANTO ÀS VANTAGENS DO MÉTODO
Em relação às vantagens do método, dois participantes do estudo relataram o desconhecimento devido à falta de vivência da realização do método.
· DESINFORMAÇÃO QUANTO À TÉCNICA DE IMPLANTAÇÃO DO MÉTODO
Em relação a técnica de implantação do método, três participantes do estudo relatam desconhecê-lo devido à falta de orientação sobre o assunto abordado.
CONHECIMENTO QUANTO AO TEMPO DE CONTATO DA MÃE / FAMÍLIAX CRIANÇA
Como principal conhecimento acerca do método verificamos que a equipe relata como importante para a implantação deste a presença constante da família/ mãe junto à criança.
CONHECIMENTO QUANTO À NECESSIDADE DE UM LOCAL ESPECÍFICO PARA A IMPLANTAÇÃO DO MÉTODO
Segundo três participantes é necessário um setor apropriado, um ambiente aconchegante e um local específico para higienização das mães.
CONHECIMENTO QUANTO À POSIÇÃO QUE O BEBÊ DEVE FICAR JUNTO À MÃE E AOS EQUIPAMENTOS USADOS PARA MANTÊ-LO NESTA POSIÇÃO
A maioria dos profissionais relatam que o bebê deve ser posicionado junto ao corpo da mãe, pele à pele e na posição vertical (canguru). Para fixá-lo nesta posição admitem o uso de uma bolsinha, um cobertor e um cinto, um avental com uma alça específica, um suspensório preso no abdômen da mãe.
CONHECIMENTO QUANTO AS VANTAGENS DO MÉTODO PARA À CRIANÇA
FACILITA A CRIANÇA RECEBER O CALOR DO CORPO DA MÃE
FACILITA A AMAMENTAÇÃO DA CRIANÇA
FAVORECE O GANHO DE PESO DA CRIANÇA
ACELERA O TEMPO DE RECUPERAÇÃO DA CRIANÇA
AUMENTA O CONTATO MÃE-FILHO INTENSIFICANDO O VÍNCULO E AFETO ENTRE ELES
AUMENTA A ESTIMULAÇÃO DA CRIANÇA PELO MAIOR CONTATO DESTE COM A MÃE
DIMINUI OS CUSTOS COM A INTERNAÇÃO HOSPITALAR
FACILITA O PROCESSO DIGESTIVO DA CRIANÇA
HUMANIZA O CUIDADO
PROPICIA UM AMBIENTE MAIS SEGURO PARA O RECÉM – NASCIDO
CONHECIMENTO QUANTO AS VANTAGENS DO MÉTODO PARA A MÃE
FAVORECE A EDUCAÇÃO DA MÃE PARA O CUIDADO DO RECÉM - NASCIDO
· AMPLIA O VÍNCULO DA MÃE COM O RECÉM – NASCIDO
· POTENCIALIZA A MÃE ENQUANTO CUIDADORA DO SEU FILHO
· MINIMINIZA O SENTIMENTO DE PERDA DA MÃE POR NÃO PODER LEVAR O BEBÊ PARA A CASA
CONHECIMENTO QUANTO AOS CRITÉRIOS DE ESCOLHA DAS CRIANÇAS PARA PARTICIPAREM DO MÉTODO
· QUANTO AS CRIANÇAS QUE PODEM PARTICIPAR DO MÉTODO
Verificamos que, para a equipe, os critérios estabilidade do quadro clínico, necessidade ou não do uso de equipamentos, peso do recém - nascido, o problema apresentado pelo recém - nascido, ser liberado pelo médico, para participar do método e disponibilidade ou não da família, são os critérios que determinam que as crianças possam ou não participar do método.
· QUANTO AS CRIANÇAS QUE NÃO PODEM PARTICIPAR DO MÉTODO
A ventilação mecânica ou o cipape são os únicos critérios identificados pela equipe que contra - indicam a colocação da criança no método.
IMPRESSÕES DAS FAMÍLIAS E PROFISSIONAIS QUE APLICARAM O MMC NA UNIDADE INTERMEDIÁRIA
MOTIVOS QUE LEVARAM AS MÃES A ACEITAREM PARTICIPAR DO MÉTODO
O principal motivo que levou as mães a participarem do método foi a possibilidade de permanecer maior tempo em contato com o seu bebê.
VANTAGENS DO USO DO MÉTODO
· PERCEBIDAS PELAS MÃES
As mães identificaram que as crianças ganhavam peso mais rápido, ficavam mais aquecidas e seguras na posição canguru, sentiam-se mais confortáveis e elas enquanto mães sentiam-se mais seguras e confiantes
· PERCEBIDAS PELOS PROFISSIONAIS
Os profissionais que vivenciaram o método identificaram que as crianças ficaram mais aquecidas e tranqüilas, ganharam peso mais rápido. Verificaram que as mães tornam-se menos ansiosas e que o tempo de internação de uma das crianças foi diminuído, devido ao ganho de peso mais rápido.
DESVANTAGENS DO USO DO MÉTODO
· PERCEBIDAS PELAS MÃES
As mães não identificaram desvantagens no método.
· PERCEBIDAS PELOS PROFISSIONAIS
Um dos profissionais identificou que algumas famílias teriam dificuldades de aderirem ao método por não poderem permanecer no hospital, devido não ter quem cuide dos seus filhos pequenos.
FACILIDADES DA UTILIZAÇÃO DO MÉTODO
· PERCEBIDAS PELAS MÃES
As mães perceberam que o método facilitou o reconhecimento da mãe pela criança, facilitou a amamentação do bebê, propiciou um maior vínculo mãe- bebê e favoreceu a educação em saúde da mãe.
· PERCEBIDAS PELOS PROFISSIONAIS
Os profissionais perceberam que o aumento do tempo de permanência da mãe junto ao bebê favoreceu a educação em saúde da mãe para o cuidado com o bebê, também verificaram que as mães conseguem manipular melhor o bebê na posição canguru do que quando o bebê se encontra em berços ou incubadoras.
DIFICULDADES DA UTILIZAÇÃO DO MÉTODO
· PERCEBIDAS PELAS MÃES
Terem vivenciado o método por um período do dia (apenas no horário de visita e amamentação) trouxe uma expectativa nestas mães em poderem ficar com o bebê durante as 24 horas do dia, também verificamos que o uso de buterfly heparinizado, soroterapia e nutrição parenteral não se mostraram como impedimento para a vivência do método, nos quatro caso
· PERCEBIDAS PELOS PROFISSIONAIS
Os profissionais identificaram que talvez algumas mães não tiver disponibilidade para participar do método, devido a algum impedimento de permanecer um período maior no hospital.
DISCUSSÃO DOS DADOS
A partir dos dados encontrados no estudo verificamos que o Método Mãe - canguru (MMC) configura-se como uma estratégia de humanização do cuidado ao binômio mãe-bebê. Que o processo político de reestruturação do sistema de saúde do país, aliado ao ideário de humanização ao cuidado mãe-filho, através do Método Mãe - Canguru passa a se constituir em diretrizes de políticas públicas para a assistência ao processo de nascimento1.
Verificamos que para a implantação do MMC no Hospital Universitário Miguel Riêt Correa Jr. (HU – FURG) torna-se necessária a capacitação dos profissionais de saúde nas unidades nas quais o método será implantado, pois estes é que serão responsáveis pela avaliação do recém-nascido e pela orientação dos pais.
Constatamos que no HU, os profissionais participantes do estudo, na sua maioria, apresentam um conhecimento superficial acerca do método. Conhecimento este adquirido através de livros, jornais, reportagens e fita de vídeo. Apenas dois profissionais da equipe do HU participaram de uma capacitação acerca do método. Assim, alguns profissionais encontram - se desinformados acerca dos critérios de escolha da criança e da família, das vantagens do método e da técnica de implantação do método. No entanto, percebemos que todos acham importante a implantação do mesmo no HU.
Para a implantação do método seria necessário que a equipe possibilitasse uma presença maior da família dentro da unidade favorecendo um maior contato com o recém-nascido. A Unidade Intermediária apresenta-se com uma área física adequada para a implantação do método no HU demonstrando o interesse da instituição e da equipe na mudança do paradigma assistencial adotado na unidade a mesma está sendo adequada para atender aos critérios da norma para a implantação do método do Ministério da Saúde 2002. Em relação aos recursos materiais, verificamos que os mesmos já foram solicitados pelos enfermeiros do setor e estão em vias de aquisição para viabilizar a implantação em menor tempo possível.
As vantagens do método justificam o investimento pessoal e financeiro da instituição na implantação do mesmo. Em relação ao investimento financeiro, acreditamos que em pouco tempo, retornará a instituição, devido a redução do número de dias de internação da criança, dos índices de infecção hospitalar e dos custos com o cuidado do bebê.
O hospital universitário, na sua missão social, precisa promover à saúde da comunidade na qual está inserido. A educação em saúde apresenta-se como uma das estratégias para se atingir esse objetivo. A presença da mãe na unidade canguru propicia uma maior interação, desta com os profissionais da saúde.
Tendo em vista que a mãe é uma multiplicadora de conhecimentos acerca de cuidados de saúde na comunidade, o alcance do trabalho educativo dos profissionais é ampliado no momento em que estes orientam as mães quanto aos cuidados específicos com a criança.
Quando a família não leva para casa seu filho após o nascimento, durante as visitas ao bebê esta pode achar que os profissionais que estão cuidando da criança estão exercendo mais o papel da família no cuidado ao bebê do que a própria família, tornando a família insegura quanto a sua competência no cuidado à criança. A presença de equipamentos e materiais que a família desconhece pode exacerbar este sentimento de insegurança. Além disso, são os profissionais que determinam em que hora e que cuidados que a família poderá realizar com o bebê, expropriando a família da sua função de protetora e do seu poder de decidir sobre o que é melhor para o seu filho. A participação da família no Método Mãe-Canguru propicia que esta ao participar ativamente no cuidado da criança readquira gradativamente sua unidade familiar potencializando-a quanto cuidadora de seu filho. Este fato faz com que a família exerça a sua autonomia fortalecendo a sua responsabilidade pela criança.
CONCLUSÃO
A partir da realização deste estudo que culminou com a vivência do método, com quatro famílias, verifico que o mesmo apresenta-se como uma importante metodologia no sentido de melhorar a qualidade do cuidado ao binômio mãe e filho no HU, pois favorece a rápida recuperação do bebê e potencializa a família enquanto cuidadora deste.
É um método viável de ser implantado no HU devido a área física existente e a vontade da equipe multiprofissional que atua no mesmo. Para viabilizar esse objetivo os profissionais precisariam ser capacitados de forma a desempenharem todas as funções atribuídas a estes conforme as normas de implantação do Ministério da Saúde 2002.
As políticas públicas direcionadas ao binômio mãe e filho tem criado incentivos para a implantação do método, capacitação da equipe multiprofissional e sensibilização dos gestores das instituições que possuem serviço de atendimento em neonatologia. Também é importante que as instituições de ensino superior incluam nos seus currículos disciplinas que discutam estratégias de humanização do serviço, como por exemplo, acerca do Método Mãe - Canguru de forma a formar profissionais comprometidos com esta humanização do cuidado.
Através do estudo verificamos que as vantagens do método são tantas que suplantam alguma desvantagem que por ventura possa aparecer. Vivenciar o método apresenta-se como uma experiência singular para cada binômio família / criança, compartilhar o cuidado a criança com suas famílias torna-se um desafio que os profissionais precisam enfrentar na busca por mudanças no paradigma assistencial vigente no sentido de tornar esta experiência menos traumática e mais prazerosa para estas famílias.
ABSTRACT
This study is treat a convergent assisting research-like research of action activity, who looking for a Kangaroo Mother Method of the intermediate unit of University Hospital Dr Miguel Riet Corrêa Junior. I have beem contacted a multiprofessional team of the intermediate unit of HU, in order to show the study’s purposes and require a their cooperation to effect proposal to be done in this sector. Su thi opportunity, was performed an interview semi structured with one of them, in order to verify their knowhow aboout of Kangaroo Mother Method. During this the multiprofessional member participated, who could contribute for a Kangarro Mother Method implantation in the HU- FURG and four families with children admited in the intermediate unit of the HU- FURG. Verified that the implement of the MMC in the University Hospital Miguel Riet Corrêa Junior (HU- FURG) is become necessary of professional’s capacity in the units, where the method will be implemented, once that these persons will hold responsibility for a newborn baby’s evaluation according parent’s orientation. The method advantages justify the personal and finance investment done by institute during method implement. As from the study performed, who determined that with a important methodology, looking for a care quality improvement of the bath mother and children in the HU, view that this kind of system speed up the baby’s recuperation and risen family, who take care of the children.
REFERÊNCIAS
1. FURLAN, C.E.F.B.,SCOCHI, C.G.S.,FURTADO, M.C. de C.Percepção dos pais sobre a vivência no método mãe- canguru. In: Rev. Latino- Am. Enfermagem, jul. ago.2003, vol.11,no.4,p.444-452.ISSN0104-1169.
2.BRASIL.Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde, Área de Saúde da Criança, Atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso: método mãe canguru: manual do curso/ Secretaria de Políticas de Saúde, Área da Saúde da Criança. – 1ª edição. – Brasília: Ministério da Saúde, 2002.282p.iL.- (Série ª Normas e Manuais Técnicos;n.145).
3.CHARPAK, N., CALUME, Z. F.de, HAMEL, A., O Método Mãe – Canguru - pais e familiares dos bebês prematuros podem substituir as incubadoras. Rio de Janeiro, Ed. McGraw- Hill Interamericana do Brasil Ltda., 1999, pg.123.
4. TOMA, T.S. Método Mãe Canguru: o papel dos serviços de saúde e das redes familiares no sucesso do programa. IN: Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro,V.19(Sup.2):S233-S242,ISSN0102-311X,2003.Editora FIOCRUZ.Gênero, Sexualidade e Saúde Reprodutiva: a constituição de um novo campo na saúde coletiva.
5.OLIVEIRA, N.D.de, JOAQUIM, M. C. M., A Atenção Humanizada ao Recém – Nascido de Baixo Peso (Método Canguru) e a Amamentação, cap.30, pg.401-408, IN:REGO, J. D., Aleitamento Materno, São Paulo: Editora ATHENEU, 2002.
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